Terça-feira, Outubro 09, 2007




Deixe-sair
[azul?!]


Natália Vasconcellos, às 00:21 // Speeeeak


Terça-feira, Outubro 02, 2007


Imensidão Claustrofóbica

. Aquele lugar parecia haver saído de um filme de terror. Sempre trancado, ali não havia eletricidade – os fios foram rompidos e a lâmpada, substituída por diversas velas, todas brancas ou vermelhas, variando em tamanho, apenas, espalhadas pelos móveis rústigos e muito antios do cômodo.
. Nunca soube por quê lá me mantiveram prisioneiro, por mais de sete semanas. As velas estavam quase se acabando ao final, e durante todo o tempo de clausura, dediquei-me a estudar o lugar de cima a baixo, e a folhear, com grande entusiasmo, não minto, aqueles livros empoeirados. Oh sim, havia várias prateleiras e estantes, todas abarrotadas de livros – muitos deles clássicos, raridades. Muitos estranhos, dos quais nunca ouvira falar. Mas em algo todos eles se assemelhavam: eram escritos numa literatura macabra, funesta. Contos mórbidos, outrora fantasiosos, sangrentos, barulhentos. Havia também textos feitos à mão, sem título, autoria ou dedicatória, e escritos de Edgar Allan Poe que eu, que me considerava um grande admirador de suas obras, nem sonhava conhecer.
. Mas os livros eram apenas uma pequena parcela das peculiaridades daquele quarto. Tudo ali era em tons de cinza, vermelho e cor da madeira muito escura dos móveis e algumas encadernações – até mesmo as chamas das velas pareciam pálidas. Numa das paredes cinzentas havia quadros, expondo pinturas e desenhos que ilustravam expressões, sensações, sentimentos de extrema angústia, medo, dor, desespero, solidão, morte, culpa. Era absurdamente perturbador fitar aquelas obras. Como se não houvesse nada mais no mundo além delas, e todas suas lembranças felizes e sentimentos bons fosse absorvidos por elas, como se as incomodassem.
. Na parede oposta, entretanto, a visão era menos incômoda, embora ainda macabra. Esta era coberta de pinturas de paisagens, todas mórbidas, monótonas, vazias. Tudo cinza. A que mais me chamava a atenção era a de um moinho solitário, ao lado esquerdo do quadro, com pequenas colinas ao seu redor e um céu nublado ao fundo. Sempre, quando me sentava à admira-lo, tentava, em vão, pôr alguém ali, ou, de alguma forma, deixa-lo menos melancólico, mas nada parecia ser capaz de se encaixar naquela imensidão vazia, e o moinho permanecia sozinho, estático. Ele parecia chorar, pedir ajuda, como se quisesse sair dali, à qualquer custo, mas como poderia?
. Durante todo o tempo em que permaneci ali, não houve um ruído sequer, exceto aqueles, raros, provocados por mim mesmo. Intriga-me o fato de que, apesar de todo o arsenal artístico, música alguma se fez ouvir. Não havia qualquer sinal de vida lá fora; não se deixavam perceber ao entrar para me levar comida.
. Aquele silêncio só fazia enfatizar o efeito que as quatro paredes ao meu redor tinham sobre mim, e toda a angústia e desespero que elas cuspiam se tornavam mais densos; elas se comprimiam ao meu redor. Eu tentava não abrir os olhos, apenas dormir, ou quase isso, mas só podia sentir os olhos que dos quadros emergiam, a me observar, clamando por atenção, e toda a aura daquele lugar sinistro ia aos poucos me sufocando.
. Foi quando senti que já não havia mais ar – e esperança, tampouco – que, lá de fora, a porta se abriu.




Natália Vasconcellos, às 15:44 // Speeeeak


Domingo, Setembro 23, 2007


Empatia

"Tudo bem contigo?"
Ela disse que sim automática, quase inconscientemente.
Como ele pôde acreditar?
Não importa, nao importa realmente.
Mas quem acreditaria? Quem não veria?
Não importa, não importa realmente.

Se três horas no banho não fossem suficientes, quatro seriam.
Quem sabe cinco.
Não importava realmente.

De toda uma vida a quatro horas debaixo do chuveiro
Pouca diferença - a agua quente era sempre mais reconfortante.
E para pará-la bastava apenas girar o registro
Mas como parar as lagrimas que ela camuflava?

Se ninguem pudesse vê-la, ninguem se importaria.
Se alguém pudesse vê-la, esse alguém não se importaria realmente.
Mas ninguém podia vê-la
E desse jeito era mais fácil.

Mas não importava realmente.
Nada importava realmente.
Há muito tempo.

E quem se importa?


Natália Vasconcellos, às 00:28 // Speeeeak


Sábado, Setembro 08, 2007


Scarecrow Boy






De onde ele veio
Ou se era vivo ou não
Ninguém sabe direito


Mas como andar não poderia
Uma boa utilidade alguém logo lhe arranjaria





Natália Vasconcellos, às 02:27 // Speeeeak


Sexta-feira, Setembro 07, 2007


Fragmentos dum passado distante [e babaquices]

'De certo modo, porém pequeno e secreto, todos se sentem sós e querem ser compreendidos,
mas nunca podemos entender inteiramente outra pessoa e cada um de nós
permanece um pouco estranho até mesmo para aqueles que mais nos amam.'

'Não existe uma grande festa onde todos riem e se divertem. - há sempre alguém, num canto qualquer do salão, esperando, pacientemente, a festa acabar.'

'Quando o mundo desmorona sobre nossas cabeças é que vemos o peso de nossos atos - ou/e dos atos alheios. Não importa de quem sejam; eles caem sobre nós, e é ai que percebemos o quanto pesam, e mesmo que percebamos antes, sozinhos não somos capazes de evitar a queda - quase nunca.'

'Sempre lhe parecerá que suas dores são piores do que as dores dos outros.'

'Enquanto isso a festa continua a acontecer e cada vez mais pessoas, que antes aguardavam o fim dela para poderem retornar a seus lares, se levantam e vão dançar.'

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Sally diz:
se algo um dia veio do nada, e tudo veio do algo q veio do nada, q veio do nada, q veio do nada, entao deus = nada
=o


Natália Vasconcellos, às 20:25 // Speeeeak


Terça-feira, Setembro 04, 2007


Hoje, decidi escrever um poema
Poema rimado e tudo
Sobre aquilo que me broxa
Aquilo que me deixa puto

Estou aqui agora
A escrever estas rimas
Pensando em como anda o mundo lá fora
Em como me broxam as pipas

O que falar, então
Das kilometricas filas de banco
Domingos na companhia do faustão
Broxantes provas em branco

E aquele maldito vestibular
Pro qual estudei como um condenado
Nada mais eficaz pra fazer broxar
Do que não passar por um ponto não dado

Ou o filme que tanto recomendaram
E eu tanto procurei
No entanto contra mim armaram
E em nenhuma locadora o encontrei

Mas nada me broxa mais
Do que todas as noites me deitar
Tantando abstrair os sinais
De que o amanhã está também fadado a broxar

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Minha melodia, teus acordes, nosso compasso
Cada nota, um sorriso
Cada pestana, um embaraço
Cada embaraço, uma intenção
Cada intenção, uma canção

Dos passos da nossa dança pouco se entende, pouco entendemos
Sabemos do que sentimos; no nosso ritmo não nos perdemos

Dum rodopio, outro improviso
Um novo passo nasce
Dançando contra a maré
Com pernas, suor, palmas, e faces


Natália Vasconcellos, às 23:53 // Speeeeak








Natália Vasconcellos, às 00:54 // Speeeeak


Quinta-feira, Agosto 30, 2007


Admirável Estranho

Você sempre me deixou ser errada assim, do jeito que só eu sou. Nunca tentou me consertar, nem me convencer de que eu estava quebrada.

Você me mostrou seu rosto e arrancou minha máscara à força; jamais poderia ser mais grata a alguém. Jamais se importaram do jeito que se importou. Jamais alguém fora tão sincero.

E você me estendeu a mão quando mais ninguém podia ouvir, e segurou a minha confiantemente quando era você quem caía.

Agora eu só queria te ter aqui pra fingir não me ter visto roubar a última trufa, ou aceitar a única cereja daquele bolo que compramos pra comemorar uma nova composição. Queria que houvesse uma última trufa ou uma única cereja.

De todas as frases só pensadas, todos os momentos não vividos, sorrisos roubados e abraços perdidos, poucos retaram na memória que doam mais do que uma viva lembrança de qalquer fim de tarde ao seu lado.

E todas as boas recordações, todas as cartas, sorrisos, converssas e abraços encontrados, eu trocaria por te ter hoje como um admirável estranho com quem esbarrasse vez ou outra no ônibus, à caminho de casa.

Em cada pedaço de você eu via um espelho. Em cada pedaço do que restou de mim eu te vejo refletido.


Natália Vasconcellos, às 00:52 // Speeeeak


Quarta-feira, Agosto 29, 2007


Aquilo Que Sou, Aquilo Que És

Sou apenas uma lágrima
Derramada por alguém, derramada sem motivo. Uma lágrima de tristeza
Desmerecida por muitos, almejada por ninguém.

Sou apenas um esboço
A representação precária de um sonho
Que alguém um dia sonhou e logo esqueçeu

Sou apenas um espectro
O fantasma vazio daquele sem nome
Que vaga, relembrando lembranças
Buscando refúgio em teu peito

Sou o lânguido reflexo em teu espelho; a sombra que jamais te abandona

Sou teu passado, teu presente, teu futuro
Tua única esperança

Sou teu mais almejado sonho, teu mais temido pesadelo
Sou tua existência, tua presença, consciência

Sou a droga que te mantém vivo

Sou o raio de Sol que te acorda
Treva que ilumina teu caminho, o farol que dissipa toda a neblina...

Sou delírio, realidade
Trilha, perdição

Sou tua mente, em tua mente, por tua mente
Objeto de aprendizagem, professor atencioso, aluno voraz

Eu sou você, no que em tí me diz respeito, em todo seu ser e meu ser; eu sou.


Natália Vasconcellos, às 00:44 // Speeeeak


Terça-feira, Agosto 28, 2007


Mais uma vez

De repente eram duas da manhã. Perdera a noção do tempo - mais uma vez. É incrível como as horas viram minutos, quando mais conveniente seria que se tornassem semanas; É incrível como o tempo pode estar contra você ou, e ao mesmo tempo, a seu favor; E ainda mais incrível: ele é seu melhor e mais fiel amigo, o Traiçoeiro.
Minutos se passaram e duas horas viraram três; você voltava do banho. Não me lembro te ter visto chegar. Entristece-me esse desperdício de momentos, agora tão raros, contigo. Abri meus olhos e lá estava você, ao meu lado, segurando minha mão. Perdida, pensei não ter adormecido; acreditava que você estivera ali todo o tempo, comigo, sem ter estado ausente, nem mesmo por alguns segundos. Agia estranhamente natural, ignorava o passar das horas. Era como se determinados momentos antecedentes houvessem sido apagados de minha memória, e o mais estranho de tudo é que eu tinha alguma consciência disso: restava, ainda, uma lacuna. Para meu total desespero, você não me soube responder as várias perguntas que eu, intrigantemente, lhe fazia.
Os instantes que se seguiram foram um tanto confusos, serenos, difíceis de entender. Silêncio. Apenas teu carinho eu notava. Então alguém abre a porta, tão repentinamente, mal podia acreditar! "Mas... já? O que... Que horas...?". Tomamos brusca distância. Quando ela entrou, pensou ter me acordado. O que nunca saberia é que eu não havia realmente dormindo naquela noite, um minuto sequer.
Assim um desagradável dever habitual me tirou da cama. No carro, confusa, fitava a Lua, que, ainda brilhando forte no céu, me caçoava. E lá estava eu; acordada, dentro de um carro, em meio ao trânsito prematuro das 6 da manhã - mais uma vez.
Então vem o conformismo. A imensa manhã passa devagar, duramente. Espero ansiosa a hora de chegar em casa, te abraçar, e tornar essa tarde, por pelo menos durante algumas horas, interminável, se tivermos sorte, mais uma vez..

.


Natália Vasconcellos, às 17:28 // Speeeeak


Segunda-feira, Agosto 27, 2007


O Poeta

Caminhando sob sombras, sempre em frente,
Sempre á margem, sem rumo, o Poeta vaga.
Pressente o perigo, cria seus inimigos, fantasia suas bravuras.
Sem hesitar, cabe claramente à ele tornar cabível o incabível.
Navegando por entre um mundo de utopias,
Deslizando com freqüência em suas metáforas, ele segue.
Amante das palavras,
Seus versos retratam o mundo que o cerca, e aquele que cerca;
Juras de amor eterno aos mais puros sentimentos.
Poeta que sob sombras caminha
Que em trevas traça seu destino
Que em melancolia afoga seus dons
Poeta que sofre calado, que luta sem espada,
Jamais desiste.
Poeta que enfrenta monstros humanos, hipocrisia de toda uma era,
E permanece sempre fiel à sua fantasia de um lugar intocado, dentro se sí,
Do qual ninguém lhe pode tirar, senão sua própria vontade...

Bravo Poeta guerreiro, continua a trilhar teu caminho
Com a sorte que tuas palavras lhe proporcionam;
Que a esperança em teus passos
Forneça-lhe a cada dia uma nova estrofe
Em tua incansável busca pela perfeição perdida
Em um mundo de ladrões...


Natália Vasconcellos, às 00:20 // Speeeeak


Domingo, Agosto 26, 2007


Talvez eu precise apenas de uma breve alegria
De um singelo motivo pra sorrir
E quem sabe esqueçer a neblina que inibe a visão
Por um instante ou dois
Pra que ela tarde, por um instante ou dois,
A se adensar novamente ao ao meu redor

Ou talvez isso não baste

A cada passo à minha frente
Menor a esperança de algo avistar

Se do cinza o tom só escureçe
Pleno breu, ao final, deve haver

Mas quem sabe, em algum ponto à frente,
Eu encontre um moço a ofereçer uma vela
Ou até mesmo um velho poste de luz minguante
Quem sabe ainda o luar se revele, por um instante ou dois
E me revele enfim
Meu caminho


Natália Vasconcellos, às 04:18 // Speeeeak


Quinta-feira, Agosto 23, 2007


Revolta contida em palavras; voz que grita calada
Rosto que exprime todo o pavor
Corpo que exala toda a decadência
Desespero inocente
Um mundo envolto em cinzas
Um mundo envolto em cinzas
Era apenas uma criança
Fora, um dia, apenas outra criança
Não resta mais nada pelo quê viver
Nada do que se foi voltará
Era só mais uma criança...


Natália Vasconcellos, às 14:05 // Speeeeak


Quarta-feira, Agosto 22, 2007


Nossa casa fora, outrora, habitada por elementais.
Na época em que em persistia conosco algo da antiga magia;
Na época em que a melancolia, refletindo o amargurar do mundo, ainda exalava esperança;
Na época em que a percistência em nossos passos e a força de nossas canções eram mais fortes do que o mal que germinava na Terra;
Na época em que as janelas viviam abertas, o vento ia e vinha, a música rolava solta pelo ar...

Hoje não há mais música. Não há mais força. Os elementais se foram. O futuro desistiu de nós...


Natália Vasconcellos, às 15:11 // Speeeeak


Terça-feira, Agosto 21, 2007


Cada um de nós carrega dentro de si
um universo totalmente novo e singular,
que merece ser desbravado e conhecido a fundo, mesmo que por apenas uma pessoa
Antes que ele se perca...

E se ser autosuficiente for a nossa sina
Que vejamos, então, da realidade, aquilo que nos convém, mas tal como ela é
E que saibamos de nossos limites, e aceitemos o ponto à que chegarmos.

Porque se você tentar voar
Você vai cair

E se teus limites não te satisfazem, sobreponha-os
Se puder
E lute por isso ao máximo
Pois ser submisso não ajudar-te-á a crescer
E nada mais lhe resta

Porque se você tentar voar
Você vai cair
Mas nada te impede de tentar

De nada vale apenas ser otimista
E não enxergar o lado bom de todas as coisas
Quando puder vê-lo
Agarre-se à ele

Porque se você tentar voar
Você vai cair
Mas nada lhe privará do prazer da queda

Não tentar fugir das culpas que lhe cabem
O fará jamais desaparecer
Jogar tuas culpas sobre alguém
O fará jamais desaparecer

Decidir de que forma queres permanecer
Fará de você o que sempre foi
Decidir se queres permanecer
Mostrará, de você, o que sobrou para mostrar

Consolo maior pode haver lá fora
Do que aquele que buscas dentro de si
Decepção maior pode haver naquilo que vês ao olhar um espelho
Sem algo exterior à que comparar tal visão

Porque se você tentar voar
Você vai cair
Mas nada se equipara a poder pular


Natália Vasconcellos, às 19:59 // Speeeeak


Eeeu sou a Sally. E tenho preguiça.

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